Eleições, Política e Juventude Evangélica

Vi uns 2 prefeituráveis, candidatos à cargos eletivos, se convertendo em igrejas evangélicas esta semana. Desconheço o coração, evidente. Se você é jovem cristão, teria preferencia em votar em pastores ou candidatos evangélicos? Fizeram a mesma perguntar na Marcha pra Jesus 2012 realizada São Paulo. 32% responderam que votariam em candidatos pastores. Não passo nem perto de um palpite sobre a honestidade da conversão ao cristianismo dos candidatos, mas por certo, é um grande público eleitoral a ser conquistado. Só em Campinas são 273,8 mil evangélicos, segundo o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Nesta nova sociedade o voto dos crentes serão decisivos para qualquer campanha política.

Também em épocas eleitorais ouvimos “irmão vota em irmão”, “candidato da unção”. Líderes de denominações colocam candidatos para orarem (ou discursarem?) em seus púpitos, dando a César o que é de Cristo e à Cristo o que é de César, inversão de valores em uma venda casada de politica partidária, governo e religião.

Eu, político?

Se pensarmos um pouco mais veremos que todos exercemos atitudes politicas. Sabemos expor nossos argumentos e defende-los, sabemos trabalhar em equipe e grupos, debater ideias e criar novas possiblidades, seja na bairro, família, na faculdade ou igreja. O termo política é derivado do grego antigo ???????? (politeía), que deriva Pólis (cidade grega); a vida na pólis significa que temos uma experiência em sociedade, comunidade, coletividade. Todos temos atividade política.
Como podemos refletir a participação da Igreja institucional em tempos de eleições e também o espaço de debate politico cotidiano? Para refletir seguirei os três modelos propostos por Paul Freston (1), sociologo cristão e pesquisador de ciências politicas:

Modelo Institucional
A igreja ou denominação escolhe alguém expressivo para representar unicamente a seus interesses. “Canditado officeboy” da igreja, se submeterá ao serviço não da população em geral, mas dos membros e lideres religiosos: “A Igreja, como instituição, entra na política defendendo as suas propostas, as quais podem ser boas ou não”, Freston alega.

Modelo Autogerado
Um lider expressivo conta com o apoio da igreja institucional para alancar sua canditatura e obter numero expressivo de votos, porém “Muitas vezes o candidato se apresenta como evangélico para fins de obter votos, mas depois de eleito não vê nenhuma necessidade de responder aos evangélicos que o elegeram”

Modelo Comunitário
Segundo Freston, o modelo mais equilibrado e ideal pois não é um um modelo institucional, nem um projeto individual mas “acredita que os evangélicos devem se envolver politicamente não em nome de suas igrejas ou instituições, mas em grupos de pessoas que pensam politicamente de uma mesma forma, inspiradas pela sua compreensão da fé cristã. Trata-se de um projeto que inclui a abertura para o diálogo e para censuras proféticas. Assim, os que exercem mandatos políticos não ficam soltos, mas interagem e respondem a outras pessoas que podem, se necessário, até mesmo repreendê-los e aconselhar sua saída da política”.

(1) Freston, Paul. Religão e Política, sim; igreja e Estado, não. Viçosa, MG. Editora Ultimato

Fonte Pavablog