Posted on Wednesday, 3rd June 2009 by gospel
Essa dificuldade enfrentada pelos sábios modernos em decifrar o enigma do Cristo e explicar Jesus remete-nos àquilo que disse Kierkegaard:
“Jesus é um paradoxo que a história jamais assimilará.” Abram-se os Portais O termo usado por Kierkegaard para “definir” Jesus, paradoxo,
palavra grega que se refere a algo extraordinário, estranho, é suficiente para nos colocar em situação de completa exaustão conceitual em nosso esforço para enquadrar Jesus. Não se pode afinal conceituar o paradoxo, pois foge às categorias possíveis de descrição. No existencialismo do filósofo em questão, o paradoxo trata-se de um argumento chocante e inusitado por refletir o absurdo uma vez que não conseguimos dar respostas definitivas às situações assim classificadas.
Se Jesus é um paradoxo que por natureza não permite uma definição simples e objetiva, então não poderíamos aceitar o argumento dos
céticos de que o mesmo seja um personagem mítico, forjado no cadinho da ignorância e superstição dos homens. Vale mencionar o que disse o filósofo francês Jean Jacques Rousseau a respeito de um suposto ou de supostos criadores do “mito” Jesus. Disse o pensador: “O homem que inventou-a (i.é. a trama evangélica) deve ser maior e mais extraordinário que seu herói”.
Rousseau quis dizer com isso que ninguém que não fosse extremamente brilhante poderia compor a história que nos é apresentada nos evangelhos. É simplesmente impossível imaginar que possa ter existido um homem mais fascinante em personalidade e caráter do que Jesus de Nazaré! Há, inegavelmente, como é de se concluir, uma inteligência suprema, uma mente brilhante, responsável pela composição da trama evangélica, e esta definitivamente não é humana!
É fato conhecido de todos que não havia nenhuma personalidade de vulto intelectual, no meio daqueles primeiros Galileus discriminados,
que pudesse ser a responsável pela criação do tal “mito” Jesus e por contagiar Jerusalém com aquela nova doutrina que hoje é, de longe, a
mais poderosa e duradoura influência que a humanidade já experimentou.
Do próprio Jesus se disse: “Como sabe este letras, sem ter estudado?” (Jo 7:15)
Se do próprio mestre afirmou-se não ter ele letras, o que dizer dos discípulos? A sua maioria era composta de gente rude, camponeses e
pescadores sem grande ou qualquer preparo intelectual. Entre o próprio grupo dos apóstolos possivelmente não havia qualquer deles com peso
curricular suficiente em quem se pudesse apoiar a teoria de que Jesus tenha sido um embuste criado pela engenhosidade da mente humana.
O que comumente acontece em tais casos é o desaparecimento, ou quando não tanto, o encolhimento desses grupos. Com o cristianismo
se deu exatamente o contrário. A primeira geração de mártires foi sucedida por uma segunda e esta por uma terceira e assim sucessivamente através de séculos. Quanto mais se perseguia e se condenava os cristãos, tanto mais o seu número crescia. É de se perguntar que estranho fascínio era aquele que se exercia sobre as pessoas, levando-as a entregarem suas vidas por sua fé em Jesus!
Luiz Leite
Autor do livro A Inteligência do Evangelho
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